Igreja e Comunhão – Pr. Aluízio Antônio

•Quarta-feira, 14 Janeiro, 09 • 3 Comentários

Por incrível que pareça, o Novo Testamento fala muito mais sobre comunhão do que de evangelismo. Normalmente, uma pessoa decide-se por uma igreja pela acolhida que lhe é dada. Ninguém consegue ficar em uma igreja onde não faz amizades. O cristianismo é, sobretudo, relacionamento. E a amizade é a maior ponte para o evangelismo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto John Haggai mostrou as formas como as pessoas se convertem nos países do terceiro mundo.


● Tv – 1,1%.

● Filmes – 1,1%.

● Bíblia – 1,8%.

● Literatura – 1,7%.

● Sermão – 2,4%.

● Rádio – 2,9%.

● Trabalho pessoal do pastor – 2,9%.

● Cruzada evangelística – 4,4%.

● Amigos – 29,9%.

Parentes – 49,7%.

● Outros meios 2,1%.


A esmagadora maioria das pessoas vem para Cristo por causa de um relacionamento familiar ou de amizade. O que desejamos nesses dias é desenvolver nossos próprios relacionamentos para que sejamos como uma grande rede lançada no mar desse mundo, uma rede na qual os peixes fiquem presos pelos nós da amizade.

 

Renove seu conceito de Igreja

 

Com o passar do tempo, podemos perder o frescor da vida em comunidade e as células podem se tornar apenas mais um programa. Queremos reafirmar nossa identidade e fortalecer ainda mais nossa visão pedindo o santo colírio de Deus neste fim de ano.


A Igreja não é um clube, onde cada um paga sua mensalidade e vive isoladamente. Alguns ainda pensam que seus dízimos sejam como a contribuição de um clube. Nós contribuímos para que o reino de Deus avance e não para termos algum tipo de benefício pessoal como em um clube.


A Igreja não é um abrigo de salvos, onde cada um busca os seus próprios interesses. Não estamos aqui para fazer a nossa própria vontade, mas sim a vontade daquele que nos chama das trevas para a sua luz. A Igreja não existe em nossa função; antes, nós estamos aqui em função do propósito de Deus.


A Igreja também não é uma prestadora de serviços, da qual sou apenas um cliente esperando ter as minhas necessidades atendidas. Muitos encaram a Igreja como uma prestadora de serviços espirituais, na qual podem buscar, quando desejarem, uma ministração forte, uma palavra interessante, uma aula apropriada para seus filhos, um ambiente agradável e assim por diante. Quando, por algum motivo, os serviços da Igreja caem de qualidade, esses consumidores saem à procura de outro shopping espiritual mais eficiente. Membros assim não têm aliança com o Corpo. Nestes dias, queremos renovar as alianças de cada membro com a Igreja.


A Igreja não é uma casa de shows, onde somos apenas espectadores. Para alguns, a Igreja não passa de mais um entretenimento. Apreciam as músicas, a pregação e o ambiente, mas ainda não compreendem a realidade do culto racional que resulta num sacrifício vivo na presença de Deus. A Igreja é uma família, na qual temos o mesmo Pai, o mesmo irmão mais velho e somos todos irmãos.


O poder da comunhão na vida da Igreja


No salmo 133, lemos a respeito do poder da comunhão no meio do povo de Deus. “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermon, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre.” (Sl 133.1-3).


1. A comunhão alegra o Senhor

 

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” (Sl 133.1). Essa é a exclamação de alegria do Senhor a respeito de seu povo. O Senhor habita no meio da comunhão de seu povo: “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.” (Sf 3.17). Assim, nada entristece mais a Deus do que a divisão no meio de seus filhos.

 

Tal comunhão não é simplesmente um ajuntamento, mas um compromisso mútuo de unidade para a expressão do Senhor na Terra. Uma sacola de membros não é um corpo, um amontoado de material de construção não é um edifício e um ajuntamento de crentes não é necessariamente uma Igreja. O que nos dá a identidade é a unidade. Sem unidade somos um corpo disforme, mas, quando somos unidos, expressamos a Cristo.

 

2. A comunhão libera poder

 

“É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.” (Sl 133.2). O óleo precioso do Espírito de Deus desce a cabeça. Evidentemente somente aqueles que estão conectados à cabeça desfrutam do óleo da unção. Nestes dias, queremos experimentar esse óleo juntos, em comunhão.

 

O Espírito Santo é o poder de Deus e este poder está em você. O Espírito Santo é a unção de Deus sobre nós. Mas, quando estamos juntos em comunhão, essa unção é potencializada e este poder pode ser liberado de forma explosiva sobre nós.

 

3. O óleo


O óleo representa a unção na Palavra de Deus. O azeite era um elemento muito versátil no mundo antigo, ele servia para virtualmente qualquer coisa e simboliza a provisão completa da unção do Espírito. O fato de o Salmo 133 nos dizer que a comunhão libera o óleo é algo muito precioso. Quando estamos unidos as nossos irmãos, esse óleo desce da cabeça, que é Cristo, e alcança todos os membros. O uso do óleo entre o povo de Israel é um retrato claro da provisão completa da unção para o povo de Deus hoje. Todas essas coisas vêm sobre nós porque estamos unidos aos irmãos na agradável comunhão do Corpo de Cristo.

 

a. O óleo é alimento

A primeira utilidade do azeite estava na preparação dos alimentos, sendo ele mesmo, na verdade, um alimento. No mesmo princípio, nós precisamos receber periodicamente uma porção da unção de azeite do céu como alimento. Quando deixamos de nos alimentar dessa unção, somos enfraquecidos e nos sentimos incapazes de fazer a vontade de Deus. A unção, portanto, é alimento. Você sabia que a comunhão nos alimenta? Sim, a comunhão libera o óleo que nos nutre.


b. O óleo nos limpa

A segunda utilidade do azeite nos dias antigos estava na feitura de sabão. A unção do azeite também tem a função de limpar e purificar as nossas vidas. Quando digo purificar, não me refiro propriamente à purificação do pecado, mas à purificação da sujeira do mundo. A morte do mundo nos contamina e nos faz ficar insensíveis a Deus. A unção, então, nos purifica da poeira da carne que nos contamina. Todos nós testificamos que, quando estamos na comunhão dos irmãos, nossos pés são lavados da poeira do mundo.

c. O óleo é combustível

As lamparinas do mundo bíblico eram mantidas acesas usando o azeite como combustível. No mesmo princípio nossa luz somente pode brilhar diante do mundo se houver o azeite do céu em combustão dentro do espírito. E esse azeite vem sobre nós na comunhão dos irmãos. Cada vez que nos reunimos, devemos esperar uma medida do combustível celestial sobre nós.


d. O óleo é para uso sacerdotal

O azeite também era usado pelo sacerdote para ungir e consagrar pessoas e coisas a Deus, como também era usado pelo médico como remédio. A unção é também para consagração. O propósito de Deus somente pode ser cumprido por meio da unção. O suprimento de Deus para nossas vidas vem somente pela unção. O suprimento de Deus para nossas vidas vem somente pela unção e todo jugo do pecado pode ser quebrado e destruído pelo poder da unção. Quando estamos em comunhão, os jugos do pecado e do diabo são quebrados e experimentamos o refrigério de Deus.


e. O óleo cura

Um aspecto importante da unção está em Tiago 5.14, em que o autor nos manda ungir os enfermos para serem curados. Há cura disponível para o povo de Deus na comunhão dos irmãos. O óleo da cura é liberado quando estamos juntos e ministramos uns aos outros. Sabemos que o óleo do Espírito é o suprimento completo de Deus, mas ele é liberado quando os irmãos vivem unidos em comunhão. A comunhão é algo realmente poderoso. Paulo chega a dizer que a Igreja de Corinto estava doente porque seus membros não entendiam a comunhão: “Pois quem como e bebe sem discernir o corpo, como e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.” (1Co 11.29-30). Quando não temos discernimento do Corpo, experimentamos morte e enfermidade. Se a falta de comunhão traz doenças, sabemos que a comunhão produz o que já mencionamos: alimento, purificação, combustível, libertação e, principalmente, cura.

 
4. A comunhão é restauradora


“E como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre.” (Sl 133.3). No verso três, lemos que a comunhão “é como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião”. O orvalho é símbolo da presença restauradora de Deus. Em Oséias 14.5, lemos que o Senhor mesmo será como um orvalho para Israel. O orvalho nos fala de refrigério e frescor. De uma forma discreta, ele cai silenciosamente durante a noite, mas faz regar toda a terra. Em Êxodo 16.13, notamos que o maná caía com o orvalho. Se o compararmos com o Salmo 133, notaremos que o orvalho é a graça de Deus sobre nós. Em Lamentações 3.22-23, lemos que as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã. Isso também nos lembra do orvalho. É na comunhão dos irmãos que experimentamos a graça e o amor de Deus com o orvalho refrescante sobre nós.


5. A comunhão traz a bênção


Finalmente o salmista diz: “Ali, ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre.” (Sl 133.3b).  Um aspecto vital da bênção de Deus é que ela libera vida, a Igreja cresce e as células se multiplicam. Uma igreja abençoada certamente é uma igreja que cresce. Eu sei que é um paradoxo: estamos jejuando pela comunhão e unidade para que venha a multiplicação. Onde há união, ali Deus ordena a sua bênção e a vida para sempre. Deus já tem ordenado a vida entre nós, basta que sustentemos a unidade da comunhão entre os irmãos.


Em nenhum outro lugar se fala mais de multiplicação e crescimento dos discípulos da Igreja do que nos primeiros 15 capítulos de Atos. Mas, também, em nenhum outro lugar se fala tanto a respeito da comunhão e da unanimidade que havia entre os irmãos. A comunhão foi o segredo do crescimento. Não precisamos de métodos ou estratégias mirabolantes para levar a Igreja a crescer, precisamos apenas remover os entulhos que estão bloqueando o seu crescimento. Deus já ordenou a bênção e haverá muita vida entre nós.


Não deveríamos perguntar “o que faz a Igreja crescer”, antes deveríamos nos questionar: “O que está impedindo a Igreja de crescer?” Deus já ordenou a bênção e a vida eternamente sobre a Igreja quando vivemos em união. Assim há um decreto divino de vida e crescimento, mas a bênção é bloqueada quando a unidade é quebrada.


Sugestões para esse tempo antes de 2009


1. Decida romper com o isolamento daqueles que estão ao seu derredor. Não permita que irmão algum seja apenas um dado de estatística, um número a mais, sem nome, sem cara. Não vamos permitir ninguém sem célula em nossa igreja. Vamos fazer uma grande pescaria em nosso próprio aquário.


2. Não chame ninguém de “irmão” nestes dias, chame apenas pelo nome. A palavra mais bela que existe para cada pessoa é o seu próprio nome. Jesus nos dá o exemplo de um bom pastor em João 10.3 quando Ele diz que chama pelo nome suas ovelhas. Cada pastor, cada discipulador e cada líder de célula deve se comprometer em saber o nome de cada uma de suas ovelhas.


3. Seja sensível à necessidade das pessoas ao seu redor. Descubra uma forma de servir aos irmãos que Deus tem colocado ao seu redor. Descubra uma necessidade deles e surpreenda-os.

4. Tome a resolução de contactar com um irmão ou um casal da igreja. Envolva-se de maneira prática. Façamos do momento da refeição um abençoado tempo de comunhão. Nós somos uma igreja com lares abertos, por isso convide uma pessoa nova para comer com sua família.

 
5. Resolva ser afetuoso no relacionamento com os irmãos. A Palavra de Deus nos ensina em muitos lugares que precisamos cumprimentar nossos irmãos com um beijo. Paulo o chama de beijo (ósculo) santo e Pedro chama de beijo de amor (Rm 16.16; 1Pe 5.14). Use esse tempo como um treinamento para estabelecer uma nova prática de comunhão em sua vida.


6. Decida ser um investidor. Barnabé investiu em Paulo (At 9.26-27; 11.22-26) e em João Marcos (At 15.36-39). Paulo investiu em Timóteo. Elias investiu em Eliseu. Moisés investiu em Josué. Em quem você está investindo? Seja um discípulo e tenha um discípulo.

7. Use seu telefone. Envie cartas. Mande cartões. Envie e-mails. Mande torpedos. Resolva abençoar alguém mesmo que seja com breves palavras todos os dias. Renove a sua agenda de telefones. Veja se todos os membros da sua célula estão na sua agenda e surpreenda-os.

8. Venha para os cultos com algum presente. Pode ser qualquer coisa, mas o que temos em mente é uma pequena lembrança. Nós teremos o tempo da oferta e também trocaremos presentes durante a reunião. Só não vale dar o que você ganhou na semana anterior.

9. Faça o propósito de, junto com a sua célula, doar uma cesta de alimentos para a beneficência. Você também pode doá-la para um membro. Nós somos uma igreja de comunhão e ajuda mútua (Fp 2.3-4; At 2.44-45). Essa é uma maneira simples de expressarmos amor aos irmãos.


10. Assuma o compromisso de tratar com todo tipo de mágoa na sua vida. Todos os ressentimentos são ruins, mas os piores são as mágoas com irmãos. Nós somos também uma igreja de perdão e cura (Lc 17.3-6). Onde não há perdão, as pessoas adoecem.


11. Resolva ser atencioso e acolhedor com o visitante (Rm 15.7). Em uma pesquisa, a empresa Standart Oil Company quis saber por que os clientes desaparecem. O resultado pode servir de advertência para nós como Igreja também:

● 1% dos clientes morrem.

● 3% mudam para outro lugar.

● 5% encontram um preço melhor.

● 9% mudam em função de conveniência.

● 14% têm um descontentamento pessoal.

● 68% em função de mau atendimento.


12. Tome atitudes práticas para a comunhão. Muitos irmãos acham tremendamente embaraçoso quando lhes é pedido, durante o louvor, que cantem olhando para um irmão do lado – o qual nunca viram. Quando pedem para dar as mãos enquanto cantam, quase desmaiam de constrangimento. Entendo essa situação e não quero constranger a ninguém, por isso quero sugerir algumas outras atitudes simples que você pode ter sempre e que também, produzirá um efeito enorme em nossa comunhão.

● Fale com o visitante, cumprimente-o e esteja antenado para acolhê-lo depois do culto.

● Sorria para as pessoas.

● Chame as pessoas pelo nome.

● Seja cortês e cooperador. Quer ter amigos? Então seja amigável.

● Tenha um interesse genuíno pelas pessoas.

● Tenha uma palavra encorajadora para todos que encontrar.

● Seja generoso e expansivo nos elogios e tímido nas críticas.

● Respeite o sentimento das pessoas.

● Ouça atentamente quando falarem com você.

● Fale uma palavra de bênção para os irmãos.

A disciplina do silêncio

•Terça-feira, 16 Dezembro, 08 • 3 Comentários

            Há pouco tempo eu soube que um amigo meu que é ministro de louvor em outro país foi diagnosticado com uma inflamação grave nas pregas vocais. Por isso, ele teria que ser submetido a uma intervenção cirúrgica bem difícil. Ele disse ter ficado muito, muito triste – menos pela cirurgia e mais por ter que ficar pelo menos 8 meses sem cantar em sua igreja.

 

            Esta situação parece muito ruim. Afinal, ficar tanto tempo sem fazer o que gostamos, o que fomos chamados para fazer, aquilo que nos dá prazer, é realmente desconfortável e triste. Se isso envolve o trabalho na igreja, então, pode somar-se ao desconforto uma estranha sensação de culpa, como se Deus estivesse nos castigando por algum motivo, por termos feito algo errado em sua obra, por sermos negligentes. Na verdade, somos condicionados a pensar que a obra de Deus diz respeito às tarefas, ao muito fazer; daí vem o sentimento de culpa.

 

            Mas ao contrário do que pensamos, esses períodos não são necessariamente conseqüência de pecado. Eles podem nos ser proporcionados por Deus. O excesso de tarefas frequentemente nos rouba o tempo que deveríamos gastar ouvindo Deus. Trabalhamos muito, nos cansamos muito e pedimos muito a Deus que nos revigore, mas não costumamos parar e ouvir, simplesmente. É o que pensava Marta: enquanto se movimentava de lá para cá em sua casa, tentando agradar a Jesus através de tarefas bem-executadas, Maria somente ouvia e se aquietava. Jesus disse a Marta que Maria escolhera a melhor parte.

 

            Deus espera que aprendamos a disciplina do silêncio. Somente desta forma poderemos ouvir continuamente o que Ele tem a nos dizer, a nos ensinar. A disciplina do silêncio é algo que precisa ser alimentado diariamente, assim como qualquer outro ato de nossa comunhão com Deus. Assim, sempre que acontecer algo que nos impeça de fazer a obra de Deus por um tempo, saberemos que naqueles dias Deus deseja falar especialmente conosco, nos ensinar algo precioso, nos proporcionar maturidade e conhecimento. E não será necessário esperar algum motivo externo, doença ou mazela que nos force a parar: saberemos que Deus está sempre pronto a falar conosco.

 

 

 

O dia de hoje

•Segunda-feira, 24 Novembro, 08 • 3 Comentários

Levo mais ou menos 25 minutos da minha casa até o trabalho quando o trânsito está bom. Evito sair nos horários de pico, porque pegar trânsito pela manhã ou no final da tarde é um exercício de paciência. Eu até poderia fazer caminhos alternativos, pegar vias secundárias no meio dos bairros, mas o trânsito é uma coisa imprevisível e eu correria o risco de gastar mais 20 ou 30 minutos, além de mais combustível. Não vale a pena; melhor exercitar o domínio próprio.

 

Apesar disso, amo dirigir. Algo puramente mecânico: a terapia de apertar pedais, de girar o volante e vê-lo voltar à sua posição original, de movimentar a alavanca de câmbio para frente e para trás, de ouvir o barulho gostoso do motor girando, dos cilindros se enchendo, de ver o conta-giros mostrando o trabalho do motor… Relaxante círculo vicioso. Pessoas que gostam muito de carros vão me entender melhor. Elas sentem, como eu, que seu carro é uma extensão de seu lar e que o banco do motorista é, muitas vezes, mais agradável do a poltrona da sala.

 

As pessoas que costumam gastar tempo com Deus entendem a preciosidade de estar sozinhas de vez em quando, somente ouvindo e nada pedindo. Elas fazem disso uma disciplina espiritual diária e essencial. Aprendi que Deus não espera que separemos, sistematicamente, um único lugar para estar com Ele. Sempre gostei muito, por exemplo, de ir pro meio do mato para falar com Deus; é fresquinho, silencioso e inspirador. De uns tempos para cá, porém, comecei a fazer também do meu carro um local especial para conversar com meu Pai.

 

É impressionante o que se pode aprender no trânsito, mesmo em um curto trajeto. Quantas vezes você já ouviu pessoas afirmarem perder 2 ou mais horas no trânsito todos os dias? E se essas pessoas utilizassem este tempo para orar? E se entendessem que a música que toca no aparelho de som pode ser canal de adoração em vez de fundo musical para o seu estresse? E se começassem a observar (sem deixarem de prestar atenção no trânsito e suas regras, obviamente) as coisas que acontecem ao redor, buscando aplicações para o seu dia-a-dia e seu crescimento espiritual?

 

Comecei a notar ainda que não somente o trânsito, mas tudo o que se passa no meio que nos rodeia, desde acontecimentos e detalhes do dia-a-dia até intempéries da natureza e fatos do mundo, são canais poderosos de Deus para nos ensinar todo o tempo. E isto é o que Ele espera que façamos: aproveitar cada instante da nossa vida para aprender, sem ficarmos presos no passado ou no futuro.

 

Em tempo: pessoas presas no passado são as que ficam o tempo todo reclamando, insatisfeitas com o que têm hoje, vivendo da lembrança. Elas dizem: “Ah, como era bom… Como eu gostaria que aqueles tempos voltassem… Hoje não é mais como era antigamente…” Pessoas presas no futuro, por sua vez, são divididas em duas categorias. Há as que chamam de “sonhos” a sua inveja e passam os dias desejando o que os outros têm, ingratas e insatisfeitas com o que Deus lhes dá. Elas dizem: “Um dia eu vou ter isso. Fulano tem, por que eu não posso ter? Um dia vou ser tão bom quanto beltrano e fazer tudo o que sicrano faz.” Há ainda as “visionárias frustradas” – têm sonhos, mas não tomam qualquer atitude para realizá-los. Sua vida é colocar a culpa de suas frustrações nas circunstâncias, nas injustiças, em outras pessoas ou na sua própria fraqueza e incapacidade.

 

Deus tem propósito em tudo. Quando começamos a notar cada detalhe de nosso dia e buscamos em Deus o sentido de tudo o que acontece, aprendemos a ser pessoas gratas. Pessoas presas no passado ou no futuro, porém, não sabem que têm um bem valiosíssimo em suas mãos: o dia de hoje. Mesmo os nossos sonhos, para serem vividos em plenitude, precisam se tornar “hoje”; ele não pode ser vivido enquanto é “amanhã”. Deus se agrada e espera que sonhemos, mas não que fiquemos angustiados, esperando ansiosamente que o sonho aconteça, vivendo o amanhã e perdendo a oportunidade de aprender com o que Deus lhe deu hoje.

Servo de todos?

•Domingo, 26 Outubro, 08 • 1 Comentário

(Extraído do livro A REVOLUÇÃO DO VOLUNTARIADO, Bill Hybels)

 

            A decisão de se tornar seguidor de Jesus mudou radicalmente a vida dos primeiros discípulos. Eles abandonaram família, amigos e emprego para se tornar peregrinos sem lar, fiando seu futuro nas palavras muitas vezes inquietantes de um mestre revolucionário.

 

            Por algum tempo, sem dúvida, isso pareceu uma grande aventura. Veja Pedro, por exemplo. Todos os dias, durante anos, ele ia à praia, desamarrava a corda que prendia seu barco, lançava as redes, levantava uma porção de peixes e os contava, levava os peixes para o mercado, trocava-os por algumas moedas, comprava comida e ia para casa. Dificilmente radiante. Então ele conheceu Jesus e se tornou o braço direito do líder mais poderoso, talentoso e carismático da época. Jesus alimentou milagrosamente grandes multidões, curou doentes e ressuscitou pessoas dentre os mortos. Quem poderia imaginar aonde tudo isso poderia chegar: Pedro havia se apegado a uma estrela, e essa estrela estava se levantando.

 

            Mas então as coisas começaram a ficar confusas. O hábito ousado que Jesus tinha de desafiar os valores que só serviam aos líderes religiosos e políticos gerou hostilidade. Seu implacável chamado para um caminho diferente ameaçava colocar seus seguidores em grandes apuros. Era sempre difícil para os discípulos aceitar o chamado radical de Jesus para que servissem a Deus e aos outros. “Se alguém quer ser o primeiro”, ele lhes disse, “será o último e servo de todos” (Mc. 9:35). Isso não é meio radical?

 

            Então ele começou a usar uma linguagem realmente inquietante: negue-se, tome sua cruz, dê sua vida. Em Mateus 19:27, Pedro finalmente faz a pergunta que todos os discípulos talvez quisessem fazer. “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?” Estou convencido de que ali brotou no coração de Pedro um sincero desejo de entregar a vida à causa de Jesus. Mas ele era apenas humano. Sua velha vida, se não uma aventura, havia sido, pelo menos, previsível. Ele sabia para onde estava seguindo e o que ganharia com isso. Mas, com Jesus, ele tinha de arriscar tudo sem garantia de retorno. Sou tolo por seguir a este homem?, ele se perguntou.

 

            “Em verdade vos digo”, respondeu Jesus, “que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e, no mundo por vir, a vida eterna” (Mc. 10:29, 30). Jesus prometeu a Pedro que valia a pena segui-lo. Não seria fácil – até poderiam enfrentar perseguições -, mas eles receberiam prêmios incríveis, tanto nesta vida como na próxima. Na verdade, ele prometeu que seus seguidores receberiam o cêntuplo daquilo que dessem!

 

            Os evangelhos deixam claro que os discípulos tiveram dificuldade para crer na promessa de seu líder. Eles pareciam convencidos de que o egocentrismo, e não o serviço, oferecia o único caminho seguro para a vida de riquezas que desejavam. Um dia Jesus fez-lhes uma pergunta: “De que é que discorríeis pelo caminho?”, mas eles guardaram silêncio porque, pelo caminho, haviam discutido entre si sobre quem era o maior. Jesus chamava seus seguidores ao serviço, porém, nos momentos de imprudentes conversas particulares, eles discutiam entre si sobre qual deles teria mais chances de ficar por cima. Quem dentre eles – debatiam – era o mais talentoso? Quem seria o mais conhecido? Quem desfrutaria do maior sucesso no futuro? Quem receberia mais convites para pregar, concederia mais entrevistas, daria mais autógrafos, exerceria o maior poder?

 

            Sabe, somos muito parecidos com os discípulos.

 

 

 

 

O ponto de vista de Deus

•Domingo, 5 Outubro, 08 • 3 Comentários

Fala-se muito sobre avivamento, mas pouco se vê ultimamente. Para que isto seja uma realidade, porém, antes de pensarmos somente em nossos próprios botões, temos que exportar o avivamento, sair das quatro paredes.

 

Um dos problemas que sempre enfrentamos é a barreira cultural, mas o avivamento sempre dissolve essas barreiras. Uma barreira cultural indica uma lei superior aparentemente intransponível que determina o funcionamento daquela comunidade, daquela nação. Todos vivem sob o controle dessa lei, mesmo inconscientemente.

 

Mas isso diz respeito apenas àquilo que é natural. Nós podemos nos sobrepor a essa lei, já que não nos encontramos mais presos à lei natural. Pedro andou sobre as águas. Metaforicamente, isso indica que ele estava andando sobre uma lei natural, ou sobrenaturalmente. A lei do homem diz que certas coisas não podem ser feitas, mas a lei de Deus é maior e diz que tudo pode ser feito. É o modo de agir sob o ponto de vista de Deus.

 

A adoração nos faz ver as coisas sob ponto de vista de Deus. Certo pastor ilustrou esta realidade citando o exemplo de sua filha. Um dia, eles estavam em um elevador muito cheio quando ela, subitamente, estendeu os braços para cima, olhou em seu rosto e disse: “Papai, me pegue!” Quando ele perguntou por que, ela disse, inocentemente: “Não consigo ver nada daqui.” Quando alçamos nossos braços em direção ao nosso Pai, saímos da posição baixa em que estamos, que nos parece ruim e problemática, e passamos a ver as coisas em uma posição bem mais alta. Naquela posição não há incômodo nem insegurança; será o momento mais propício para ouvir sua voz.

 

De fato, nosso Pai nos quer “pegar no colo” e nos agradar. Esta é a cultura do céu. Ele não é um pai mau e vingativo, apenas esperando algum erro para nos castigar. A obediência, pelo contrário, é o motivo de Deus para nos abençoar. Ele poderia fazer tudo de maneira padronizada, mas não é assim que Deus age. Ele conhece a limitação humana e sabe que, a partir de atitudes padronizadas, novas doutrinas poderiam ser criadas – e isso é irrelevante. Ele é criativo e opera de diferentes formas. Por isso, a única forma de alcançarmos o favor de Deus é a obediência: fazer a vontade de Deus a qualquer custo, a ponto de renunciar à nossa própria vida.

 

A vida é o maior presente que Deus nos deu, mas Ele não quer que a retenhamos. Ele deu vida a Lázaro, mas mandou que outros o soltassem de suas ataduras. Por isso cabe a nós, que temos o dom da vida, soltar aqueles que ainda estão presos para que possam também desfrutar da mesma vida em Cristo. Satanás provavelmente irá nos acusar, porque esta é a sua cultura. Ele sempre procura meios para nos impedir de agir, seja nos atormentando com culpa, seja jogando em nossa mente a impressão do fracasso. No entanto, nada disso terá poder sobre nós se reconhecermos que temos “imunidade diplomática”.

 

Quando alguém natural dos EUA entra em sua embaixada no Brasil, por exemplo, aquele terreno já não é mais o Brasil, mas parte dos EUA. Quando entrarmos no Reino celestial e o estabelecermos na Terra, as leis e a acusação do diabo não se aplicarão mais a nós. É necessário dar um “golpe de estado” no reino das trevas, dizendo a Satanás que ele não tem mais poder sobre nós, sobre nossa cultura, sobre nossa nação. Satanás não se importará muito se continuarmos a agir apenas dentro da embaixada, ou seja, dentro da igreja, mas não suportará um golpe de estado que atinja toda uma nação. Isto é o avivamento.

 

Ao mesmo tempo em que permite uma nova perspectiva, a adoração recria o ambiente de liberdade dentro de um cárcere. Quando adoramos, mudamos realidades. Não podemos ser apenas “termômetros”, que medem a temperatura do lugar, mas precisamos ser “termostatos”, que aumentam a temperatura trazendo o fogo de Deus. Este poder, no entanto, não estará seguro nas mãos de alguém imaturo e sem compaixão. Uma revolução na nação só terá sentido se houver amor por essa nação; da mesma forma, o avivamento só terá sentido se houver amor pelo reino de Deus e compaixão pelas vidas. Quando a paixão por Deus – vertical – e a compaixão pelas almas – horizontal – se cruzam, temos então a intercessão da cruz. O próximo avivamento ocorrerá através de ministérios com compaixão, e a compaixão é um dos principais combustíveis para o milagre.

 

Caminhar segundo o ponto de vista de Deus, em resumo, é isto: andar sobrenaturalmente, viver em adoração, obedecer a qualquer custo, destronar o inimigo através de atitudes ousadas em Deus, sair das quatro paredes, proclamar a liberdade em Cristo, servir e exercer constantemente a compaixão e o amor. É sair da posição de derrota (lugares baixos) e caminhar rumo à vitória (lugares altos).

 

 

Entrevista Portal Guia-me

•Segunda-feira, 8 Setembro, 08 • 6 Comentários

Guia-me: Por que você deixou o Ministério Diante do Trono?
Maximiliano Moraes: Entrei no ministério em janeiro de 1999 e o deixei em janeiro de 2005, depois de seis anos de colaboração. Sai porque Deus orientou a mim e a minha esposa que o fizéssemos. Em tudo o que fazemos há um tempo de semeadura, um tempo de aprendizado e um tempo de colheita. Penso que todo ministério é um celeiro de líderes e estes são chamados para formar outros líderes, não para permanecerem estagnados. Sei para o quê fui chamado e em que áreas do Reino de Deus eu deveria exercer liderança e, por isso entendi, naquele momento, que o tempo de caminhar sem o Diante do Trono havia chegado.

Guia-me: Por que se mudou para São Paulo?
Maximiliano Moraes: Recebemos uma proposta de outra igreja para virmos. Depois de orarmos e pedirmos respostas e sinais de Deus, percebemos que nosso tempo em Belo Horizonte também tinha acabado.

Guia-me:  Há quanto tempo você está em São Paulo?
Maximiliano Moraes: Desde março de 2006.

Guia-me:  O que foi ou está sendo mais difícil na adaptação?
Maximiliano Moraes: Não foi difícil em momento algum. Deus me deu um coração missionário e eu já morei em várias cidades do Brasil, por isso, a adaptação para mim não é um problema. Além disso, os pais de minha esposa moram em Campinas e está sendo melhor também para ela estar mais perto de seus familiares.
 
Guia-me: O que te motivou a ingressar no Ministério de Louvor da Igreja Batista do Povo?
Maximiliano Moraes: Não entrei na IBP para participar do ministério de louvor necessariamente. Entramos por causa da visão da igreja. Na outra igreja da qual éramos membros a visão era muito diferente, conflitante com o que Deus tinha nos dado. Assim, conversamos com os pastores de lá e resolvemos procurar uma igreja com visão missionária. Como eu já conhecia o Pr. Jonas, já que ele foi meu pastor em Lagoinha, e depois de orarmos muito, entendemos que a IBP seria o melhor lugar para nós. O ministério de louvor foi somente uma conseqüência.
 
Guia-me:   Qual será o seu trabalho especificamente nesse ministério?
Maximiliano Moraes: Hoje sou responsável pela parte técnica do louvor. Todas as equipes de louvor da IBP, incluindo corais, receberão aulas de canto e dicas relacionadas à postura, respiração, arranjos vocais e instrumentais. Mas estou completamente à disposição para quaisquer outros projetos da IBP onde a música e o louvor estejam incluídos. Por enquanto, estamos só no começo.
 
Guia-me:  Existe algum plano para gravação de um CD da IBP?
Maximiliano Moraes: Por enquanto, não.
 
Guia-me:  Como você avalia os ministérios de louvor de igrejas no Brasil? Quais são os pontos fortes e quais as carências?
Maximiliano Moraes: Esta é uma pergunta muito complexa. Primeiro porque não conheço todos os ministérios de louvor no Brasil. Depois porque mesmo que todos eles colham frutos e abençoem muitas pessoas, são todos formados de gente como eu e você, ou seja, todos têm problemas. Não posso falar das motivações deste ou daquele, porque só Deus as conhece. Desta forma, talvez a única avaliação que eu possa fazer é que não existe ministério de louvor perfeito e provavelmente, em maior ou menor escala, todos passam pelos mesmos tipos de lutas.
 
Guia-me: Você participou da realização de 21 trabalhos do DT. O que mudou desde o início até os dias de hoje?
Maximiliano Moraes: Não posso dizer exatamente como o ministério está hoje porque faz quase quatro anos que sai. Sei, porém, que até a época em que estive lá houve muito progresso técnico, espiritual e relacional. Admiro a postura de coragem e ousadia que os líderes do Diante do Trono assumiram e foi por isso, certamente, que aquele ministério se tornou o que é hoje, sendo referencial para tantas pessoas.
 
Guia-me: Muitos cantores hoje são tratados como celebridade e alguns até se comportam como tal. O que fazer para que a fama não desvie o alvo da adoração?
Maximiliano Moraes: Voltar os olhos para a cruz de Cristo e não tirá-los de lá. A postura de determinadas “celebridades” no mundo cristão nada mais é do que um reflexo de uma Igreja doente no Brasil, com motivações erradas e uma visão corporativa absolutamente perniciosa. Uma igreja doente forma cristãos doentes, que não sabem ou não querem assumir uma postura de renúncia. Com isso, o orgulho toma o lugar da humildade, o egoísmo encobre o altruísmo, o Reino se torna um meio de ganho financeiro e a Igreja se torna meramente um palco, um lugar de entretenimento.
 
Guia-me:  Qual é a diferença entre um bom cantor e um adorador?
Maximiliano Moraes: Adorar não significa cantar. Adorar é um estilo de vida, uma escolha que inclui renúncia e compromisso verdadeiro com Deus. Eu adoro a Deus não necessariamente cantando, mas vivendo sua Palavra, obedecendo a seus princípios e tendo consciência do meu papel no Reino de Deus. Se alguém for chamado por Deus para cantar ou tocar um instrumento, não é o canto ou o som do instrumento que farão deste um adorador, mas sua disposição em obedecer a qualquer custo. A música será somente uma ferramenta para a adoração.
 
Guia-me:  Que qualidades um bom ministro de louvor deve ter?
Maximiliano Moraes: Humildade, obediência à Palavra, compromisso de viver o que ministra, consciência de Reino, coração missionário e, obviamente, talento e carisma.
 
Guia-me: Boa voz garante bom louvor? O que mais é preciso?
Maximiliano Moraes: Garante para quem está lá só para assistir. Se formos analisar a expectativa de Deus, é claro que não.
 
Guia-me: O que é preciso levar em conta antes de pensar em gravar um CD de música cristã?
Maximiliano Moraes: Saber o objetivo daquele CD. Não é pecado querer que um CD seja muito vendido, mas é pecado utilizar o Evangelho para tentar enriquecer ou adquirir fama. Se o seu objetivo é exclusivamente ganhar e edificar vidas, sabendo que o desejo de Deus é que isso aconteça com urgência, Ele mesmo moverá as circunstâncias para que muitas pessoas tenham acesso a este CD, o que redundará em boas vendas. Muita gente pensa que o uso do Marketing é essencial para que um CD se torne um best-seller e se esquece de que até o Marketing está sujeito à vontade de Deus. Nem mesmo a melhor propaganda e o maior investimento farão um CD ser muito vendido se Deus não quiser que ele seja. O principal em tudo isto é ter convicção de que a música cristã deve servir a um único objetivo: ser ferramenta para evangelizar e edificar vidas.
 
Guia-me: Você já enfrentou alguma situação onde o estrelismo interferiu na harmonia de um grupo de louvor?
Maximiliano Moraes: Diversas vezes. Já vi grupos serem formados e desmanchados por causa disso.
 
Guia-me: Como administrar os egos?
Maximiliano Moraes: Não acho que o ego deva ser administrado. Acho que ele deve ser morto.
 
Guia-me:  O que você pensa sobre os músicos e cantores cristãos que desenvolvem um trabalho secular paralelo com música?
Maximiliano Moraes: A Bíblia diz, na carta de Tiago, que não devemos julgar ninguém. Conheço pessoas que têm trabalhos seculares e têm sido canais nas mãos de Deus para ganhar muitos músicos para Cristo. Conheço outros que fazem isso só pelo dinheiro. Conheço alguns que não viram alternativa para o seu sustento senão desenvolverem trabalhos musicais não-cristãos, já que não sabem fazer outra coisa e não encontraram apoio algum em suas igrejas. Conheço outros que simplesmente não conseguem deixar este mundo porque estão acostumados ao padrão de luxo e conforto que o dinheiro que ganham lhes proporciona. Então, o que dizer dessas pessoas? Deus conhece o coração de cada uma delas.
 
Guia-me:  O que você ouve?
Maximiliano Moraes: O que toca. Só não gosto de rock pesado, trash metal.
 
Guia-me: Ouve música secular? Por quê?
Maximiliano Moraes: Às vezes ouço. Porque não posso tampar meus ouvidos enquanto ando na rua ou toda vez que entro em uma loja onde o fundo musical for secular. Porque às vezes fico enjoado de ouvir música cristã ruim nas rádios. Porque sou musicista e preciso atender às expectativas de pessoas para quem eu trabalho, que, mesmo cristãs, pedem influências x ou y, muitas vezes não-cristãs, em seus CDs. Porque entendo que Deus é tão ilimitado em seu poder e graça que, se Ele quiser, pode falar comigo através de qualquer coisa, qualquer situação, qualquer música. A beleza de Deus também é expressa através de um talento natural que produz uma música bela. Mesmo letras não-cristãs que falam da natureza, por exemplo, acabam exaltando a majestade e o poder de Deus.
 
Guia-me: Quais são os seus planos e projetos nessa nova fase em São Paulo?
Maximiliano Moraes: Meu único plano é continuar obedecendo ao que Deus me mandar fazer, ir onde Ele quiser que eu vá, ser canal para que o nome dele seja pregado e exaltado e ser uma bênção em minha igreja, para que o nome dele cresça e o meu diminua. Não importa onde eu esteja, este sempre será o meu plano principal.

Fonte: http://www.guiame.com.br/m5.asp?cod_noticia=8989&cod_pagina=1188

Acaso ou Propósito?

•Quinta-feira, 28 Agosto, 08 • 9 Comentários

“(…) O que planta e o que rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com o seu próprio trabalho. Pois nós somos cooperadores de Deus; vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus” (I Coríntios 3.8-9, NVI).

 

O mundo passa por transformações o tempo todo. Muitas delas não são percebidas pela maioria das pessoas: alterações sutis na natureza como um todo (clima, nível das marés, etc.); alterações a nível cultural e social que, da mesma forma, só são perceptíveis com o passar das gerações. As mudanças mais claramente notadas por todos acontecem no âmbito econômico, político e religioso, e algumas delas geram impacto profundo em cidades, países e continentes. Ainda assim, a “população comum” está quase sempre alheia aos motivos ou aos fatores decisivos de tais mudanças. Chamo de “população comum” os não-convertidos, os que ainda não conheceram o poder libertador do Evangelho de Cristo. Nós fazemos parte da “população incomum”: os santificados pelo sacrifício de Jesus, unidos novamente a Deus e tendo em nós a Sua vida. Nós somos a Igreja de Cristo.

 

Tudo o que acontece no mundo físico é reflexo de algo que ocorre no mundo espiritual. E este só se move mediante a oração – ou à falta dela. Como Igreja de Cristo, somos responsáveis por mover o mundo espiritual a favor dos propósitos de Deus, estabelecendo o Seu Reino na terra. Deus conta conosco para levarmos o Evangelho, para sermos agentes de transformação nos meios em que vivemos através de nosso testemunho, para fazermos diferença através de nossa oração e ação. Por isso, qualquer acontecimento ou mudança política, social, econômica ou religiosa no mudo certamente será gerada pela Igreja.

 

            Todo servo de Deus deve entender que tudo o que ele faz tem ligação direta com o Reino. Não existe acaso para o cristão, bem como não existe diferenciação entre vida “secular” e “cristã”. Todos os aspectos da vida do crente são diretamente conectados a um plano maior, o plano de Deus para o homem. Parte deste plano é individual, mas parte inclui a colaboração dos santos para o cumprimento do plano coletivo de Deus.

 

Se você é um profissional, por exemplo, Deus quer agir através de seus talentos profissionais para gerar transformação na empresa ou na comunidade onde você trabalha. Através de empresas cristãs, administradas por cristãos ou com objetivos compatíveis com o Reino, Deus vê seus planos para um setor da economia ou da sociedade sendo cumpridos. Através de repartições públicas ou órgãos do governo cheios de homens e mulheres de Deus, Ele vê seus planos para uma cidade sendo cumpridos. Através de líderes e formadores de opinião cristãos, Deus vê seus planos para um país serem cumpridos. A partir da transformação de um país, Deus usa seu exemplo para gerar transformação em toda a Terra. Deus usa os micros para gerar os macros, de acordo com o seu propósito.

 

Por isso, para a igreja, esses acontecimentos não podem ser classificados como ocasionais. Somos dignos de fazer parte do que, para grande parte da população, é mero acaso: somos cooperadores de Deus. Nossa oração é o que gera tanto a fagulha inicial quanto a explosão; tanto a pedra fundamental quanto a consolidação do edifício. Somos responsáveis pelas mudanças no mundo. Por isso, em nome de Jesus, sejamos então dignamente responsáveis pelas mudanças a favor do Reino de Deus em vez de contribuirmos para o triunfo do maligno, causado pela indiferença da Igreja.

O Silêncio de Deus

•Segunda-feira, 21 Julho, 08 • 9 Comentários

Nós, brasileiros, não gostamos muito do silêncio. Parece que fomos criados para as festas, para ouvir e falar, para expressar tudo o que está em nosso coração. Somos extremamente emocionais: conversamos alto, damos gargalhadas, choramos facilmente, pulamos e dançamos ao som das músicas, animamos os lugares que freqüentamos. Em muitas conferências internacionais, os brasileiros são propositalmente dispersos no meio das outras pessoas, para contagiá-las com sua alegria. Talvez por causa disso tudo não nos sentimos à vontade quando Deus se silencia.

O silêncio de Deus é ensurdecedor e inquietante. É preferível ouvir trovões e relâmpagos a ouvir nada da boca de Deus. Recentemente eu tive uma experiência assim. Estava orando e esperando alguma resposta audível, mas nenhuma resposta vinha. Fui ficando inquieto, não experimentava qualquer impressão no coração. Nada! Tive vontade de me levantar e ir embora. Aquele momento estava sendo muito difícil; eu não desejava mais estar ali. Então, de repente, os meus ouvidos se abriram. Deus não estava falando com palavras, mas sim, com Seu silêncio.

O silêncio de Deus desmascara os corações. O interior do homem fica escancarado, e ele pode ver sua inquietude, sua ansiedade, seu desejo de ver as coisas andando mais rapidamente, sua vontade de fazer acontecer, sua própria realidade interior. O homem vê o quanto o seu coração ainda luta para tomar as rédeas das situações. Finalmente, ele percebe o quanto ainda, desesperadamente, precisa de Deus. E a partir daí é detonado o avivamento.

Todo grande avivamento da história foi antecedido por um período de silêncio de Deus. Citemos o avivamento nos dias de João Batista, que aconteceu depois 400 anos de silêncio. Durante esse tempo, as pessoas procuravam respostas, trabalhavam por conserto, ansiavam por ouvir a Deus. Ana, filha de Fanuel, dia e noite permanecia no Templo, com jejuns e orações. E como ela, havia muitas outras pessoas. Todos buscavam a presença de Deus e não se desanimavam ante o silêncio – antes, eles perseveravam em sua busca. O silêncio tão somente serviu para que as pessoas olhassem para si mesmas e anelassem mais pela presença de Deus. Elas sabiam que somente Deus poderia mudar a sorte delas e da nação; por isso, incansavelmente, buscavam a Deus.

É tempo de fazermos o mesmo. Nossa nação precisa experimentar um poderoso avivamento. O silêncio de Deus não é sinal de que ele está longe, pelo contrário; Seu silêncio revela que Ele deseja que sondemos o nosso próprio coração e busquemos mais ardentemente a Sua presença. Quando foi a última vez em que você parou para ouvi-lo? Você já ouviu o silêncio de Deus?

Gratidão

•Segunda-feira, 30 Junho, 08 • 2 Comentários

Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos. (Jo.21:25.)

Somos aparentemente gratos a Deus por muitas coisas: nossa casa, nossas roupas, nosso sustento, nosso emprego, família e amigos. Tudo o que é agradável aos nossos olhos deveria trazer gratidão ao nosso coração, sabendo que é o Senhor o provedor de todas essas coisas. Mas, somos realmente gratos? Acaso tivéssemos uma casa não tão bonita ou não tão confortável, ou fôssemos privados de certas regalias ou manjares, ou ainda se fôssemos contrariados por algumas pessoas, permaneceríamos gratos a Deus? Qual a diferença entre “gratidão” e “cordialidade por comodidade”?

É fácil dizer palavras de gratidão “decoradas”, quando todas as coisas ao nosso redor nos satisfazem. Entretanto, a Palavra nos exorta a sermos gratos em tudo, porque essa é a vontade do Pai para conosco (I Ts.5:18). A gratidão não é um jogo de palavras, mas uma atitude de coração. Precisamos ser gratos mesmo em tempo de dificuldade, porque sabemos que o Senhor deseja nos ensinar a total dependência; mesmo não possuindo os bens que desejamos, porque ali o Senhor nos ensina a humildade e nos dá a oportunidade de compartilhar o que temos, retirando de nós todo o apego àquilo que é material. É necessário ser gratos ainda que nossos sonhos não tenham se realizado – enquanto isso, o Senhor nos prepara e nos molda, dando-nos a maturidade essencial à boa administração daquilo com o que sonhamos. Ser gratos por coisas pequenas, mesmo que pareçam insignificantes, é ainda mais sublime – afinal, o grande é óbvio, mas é no pequeno que se encontram os grandes ensinamentos.

Quando estamos na presença de Deus e assim permanecemos, nosso desejo é ouvir constantemente à Sua voz. Nos tornamos gratos tanto pelo dia quanto pela noite: o dia é mais um período no qual o Senhor deseja falar conosco, nos ensinar e permitir situações que nos confrontem com nosso próprio ego, nos fazendo perceber a necessidade de sermos moldados à semelhança do caráter de Cristo; e a noite é o período em que pensamos estar plenamente desligados de tudo e todos, mas o Senhor continua ministrando ao nosso coração e ao nosso espírito que jamais adormece. Deus dá aos seus amados enquanto eles dormem (Salmo 127:2).

O Senhor faz todas as coisas para fins determinados (Provérbios 16:4); em tudo há propósito, e há tempo para tudo (Eclesiastes 3:1); todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8:28). Se amamos a Deus, certamente o Senhor destinará circunstâncias e acontecimentos ao nosso redor para o nosso bem. E mais motivos de gratidão nós teremos. Olhar para grandes acontecimentos ou conquistas vultosas aos homens também é válido, quando queremos nos dirigir a Deus em gratidão. Entretanto, grandes conquistas são conseqüência de nossa busca, e o Senhor nos trata com misericórdia. Recebemos aquilo que é imerecido diariamente, hora a hora, minuto a minuto. De fato, não é possível relatar tudo o que o Senhor Jesus fez e FAZ em nossas vidas. Por isso, muito mais motivos temos, eu e você, do que nossa mente consegue contemplar, e muito mais o Senhor nos deseja abençoar através de nossa gratidão. Um círculo infinito.

Um homem se converteu ao Evangelho

•Terça-feira, 3 Junho, 08 • 2 Comentários

 

Um homem se converteu ao Evangelho.

Estava morrendo de vontade que outras pessoas tivessem a mesma experiência, vivessem aquilo que ele estava vivendo. Queria a todo custo pregar o Evangelho em todo lugar, sob qualquer circunstância. Porém, o convenceram que, para pregar o Evangelho, ele precisava estudar mais, se preparar. Ele foi, então, estudar e se preparar. 

Quando terminou o curso, estava tão cheio de Deus que queria, a todo custo, pregar o Evangelho em todo lugar e sob qualquer circunstância. Mas o convenceram que ele não poderia fazer isso sozinho; precisava preparar pessoas que pudessem lhe dar auxílio.

Ele foi, então, procurar pessoas que queriam fazer a mesma coisa mas não se sentiam preparadas. E começou a treiná-las. Mais adiante, percebeu que elas eram as pessoas certas para evangelizar, e passou a querer, a todo custo, pregar o Evangelho em todo lugar e sob qualquer circunstância com seus novos parceiros. Disseram a ele, porém, que muitas outras pessoas tinham essa mesma vontade, mas não tinham ao seu alcance pessoas capacitadas para os treinar. O convenceram a dar seminários e palestras com foco na preparação para o evangelismo. 

Ele começou, então, a viajar para ministrar seminários e palestras com foco na preparação para o evangelismo e encontrou muitas pessoas com a mesma motivação e o mesmo desejo ardente de, a todo custo, pregar o Evangelho em todo lugar e sob qualquer circunstância. Ele quis se envolver mais com elas, a ponto de conhecê-las melhor e firmar novas parcerias para evangelismo. Ele queria sair e pregar o evangelho. Mas disseram a ele que seria muito difícil fazer isso sozinho, pessoalmente. O convenceram a montar um ministério com toda a estrutura, de forma que as pessoas pudessem se comunicar por e-mail ou telefonema, e assim, recebessem jornais, panfletos e impressos diversos com a sua história de vida, seu testemunho e sua motivação. Assim, certamente o conheceriam melhor e se sentiriam também motivados. 

Seu ministério se tornara muito grande e conhecido. Ele percebeu que tudo o que fizera tinha prosperado. Ele tinha pregado e dado palestras e seminários em vários países, era mundialmente reconhecido, tinha a admiração de todas as denominações evangélicas e tinha contato com pessoas de todo o mundo. Ele era muito grato a Deus por tudo. 

Já velho, porém, percebeu que não tinha feito justamente o que ele tanto estimulava pessoas a fazerem. Seu primeiro desejo, logo após se converter, acabou sufocado pelas opiniões das pessoas. O fogo que queimava em seu coração durante o primeiro amor foi se transformando em necessidades corporativas, de forma que ele foi sempre substituindo a ordem primária de Deus por “placebos ministeriais”. Se arrependeu amargamente; afinal, nunca tinha saído e compartilhado pessoalmente com alguém sobre a maravilhosa experiência da Salvação em Cristo. 

E você? Quantas pessoas você ganhou para Cristo nos últimos dias?