“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. (…) Se alguém disse: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (I João 4:8,20)
De um tempo para cá se tornou muito comum ouvir a expressão “apaixonados por Deus” nas canções cristãs, nos períodos de louvor e nas apresentações de muitos cantores, bandas e ministros cristãos. Todos sabem que a palavra “apaixonado” faz menção a uma atitude intensa, ardente, e o seu uso parece bastante apropriado quando alguém fala da atitude de adoração que devemos ter. Quando um homem se apaixona por uma mulher, por exemplo, é notável a sua dedicação a ela, sua vontade de estar perto dela o tempo todo, de agradá-la com todos os seus atos, de chamar sua atenção. E quando a paixão é exercida da forma correta, a partir dela uma relação madura poderá ter início, um relacionamento mais íntimo poderá ser desenvolvido e o verdadeiro amor poderá ser construído em lugar de atitudes meramente impulsionadas por um sentimento novo.
Porém, hoje em dia também é comum – aliás, mais comum do que nunca – encontrar grupos de pessoas que dedicam seus fins de semana, feriados prolongados ou períodos de recesso a seminários, congressos e todo tipo de evento semelhante para “buscar ao Senhor”. Esses, dizem, procuram a transformação do seu caráter, o enchimento com o Espírito Santo, o “sobrenatural de Deus”. Na maioria, são jovens que não se importam com horários, boas acomodações ou qualquer conforto durante os cultos. Não há sequer uma preocupação básica com limpeza e higiene; se necessário, eles deitam e rolam no chão “em rendição total ao Senhor”. São os “apaixonados por Deus”.
Porém, muitos deste meio têm se tornado cegos, mantendo nada mais que uma aparência superficial de religiosidade. São apaixonados não mais por Deus, mas pelos próprios eventos, pelos seminários, pelos congressos, pela movimentação, pela barulheira, pelas músicas. Muitas programações como estas têm se tornado meros pontos de encontro dos chamados “adoradores apaixonados famintos sedentos enfermos de amor”. Pode-se dizer que um pequeno número de pessoas realmente busca a Deus nesses eventos, mas é certo que, muitas vezes, a maioria não passa de um grupo de alienados.
Soma-se a este o grupo dos “apaixonados por si mesmos”. Sua aparência de religiosidade é revelada em seus atos repetidos, seus gritos programados, seus gestos à vista de todos, sua permanência no culto do início ao fim, suas roupas sujas de tanto rolarem no chão, seus cabelos desgrenhados, seu choro forçado. Suas vidas, porém, não são verdadeiramente transformadas. São cheios de julgamento e de desamor. Em sua opinião, qualquer pessoa que não age como eles é pecador, carente de Deus, um “não-apaixonado” por Deus.
Essas atitudes refletem nada mais que uma vida cristã movida por impulso, imatura. Deus está esperando, de uma vez por todas, que abramos os nossos olhos e caminhemos não mais segundo a paixão, mas EM AMOR. A paixão é um sentimento, mas o amor não. Deus é amor, e Deus não é sentimento; Deus é ESPÍRITO. Assim, andar em amor é andar no Espírito. Agir por amor é deixar de lado as críticas e os julgamentos; em vez disso, testemunhar da transformação através da busca a Deus. Agir em amor é dar a preferência a Deus em vez de tentar agradar às pessoas presentes numa reunião. Agir em amor é rever as motivações, visando a restauração do desejo de investir em um relacionamento íntimo com Deus, que não se traduz necessariamente em atitudes externas, mas em uma disposição sadia do coração. Um dos primeiros sinais de crescimento, maturidade com Deus e desenvolvimento do amor verdadeiro é o amor pelos irmãos.
Entenda: a paixão não significa amor, mas o amor verdadeiro é repleto de paixão. O amor é uma DECISÃO, mas para que ele seja exercido em plenitude precisa haver paixão, motivação, desejo de servir. Ser “apaixonado por Deus” não quer dizer nada se não houver uma DECISÃO de obedecer plenamente ao que a Bíblia diz. É muito melhor obedecer do que sacrificar; é muito mais proveitoso fazer o que a Bíblia nos ordena do que se retorcer em movimentos, gestos e atitudes escandalosas querendo, com isso, expressar uma paixão forçada.

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